Mostrando postagens com marcador Direito de Família. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Direito de Família. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 23 de junho de 2014

Gravação telefônica efetuada por detetive particular, a pedido da genitora do menor

[ Gravação telefônica efetuada por detetive particular, a pedido da genitora do menor. ]

interessante julgado da Sexta Turma, no qual foi reconhecida como “válida a prova consistente em gravação telefônica produzida por detetive particular, a pedido da mãe da vítima menor, em telefone de sua residência, utilizada para fundamentar a condenação do réu”. A condenação deu-se por crime sexual.
Segundo a notícia, dois foram os fundamentos elencados pela Sexta Turma: a) o princípio da proporcionalidade e b) a existência de autorização da mãe do menor, o que tornaria o fato “mera gravação, com auxílio técnico de terceiro, pela proprietária do terminal telefônico”, e não interceptação ilícita.
No tocante ao princípio da proporcionalidade, destacou a notícia que:
Ao analisar a questão, o ministro Rogerio Schietti Cruz, relator do habeas corpus, afirmou que a Constituição proíbe as provas obtidas por meios ilícitos, como as que resultam da violação de domicílio, das comunicações e da intimidade, além daquelas conseguidas mediante tortura.
De acordo com o ministro, apesar de prevalecer a doutrina da exclusão das provas ilícitas, a jurisprudência tem construído entendimento que favorece a adoção do princípio da proporcionalidade. O Supremo Tribunal Federal, disse Schietti, já aplicou esse princípio para admitir a interceptação de correspondência do condenado por razões de segurança pública.
No caso julgado pela Sexta Turma, o relator destacou que a gravação da conversa telefônica foi obtida por particular, tendo em vista a suspeita de séria violação à liberdade sexual de adolescente de 13 anos de idade, crime de natureza hedionda. “A genitora da vítima solicitou a gravação de conversas realizadas através de terminal telefônico de sua residência, na qualidade de representante civil do menor impúbere”, narrou.
No que pertine ao fato de se tratar de mera gravação, registrou o site que:
Segundo o Código Civil, os menores de 16 anos são absolutamente incapazes, sendo representados por seus pais. Por isso, Schietti considerou válido o consentimento da mãe para gravar as conversas do filho menor.
“A gravação da conversa, nesta situação, não configura prova ilícita, visto que não ocorreu, a rigor, uma interceptação da comunicação por terceiro, mas mera gravação, com auxílio técnico de terceiro, pela proprietária do terminal telefônico, objetivando a proteção da liberdade sexual de absolutamente incapaz, seu filho, na perspectiva do poder familiar – vale dizer, do poder-dever de que são investidos os pais em relação aos filhos menores, de proteção e vigilância”, resumiu o relator.
Daí porque a Sexta Turma não reconheceu a ilicitude da prova, a qual, para o ministro relator, significaria prestigiar a intimidade e a privacidade do acusado em detrimento da própria liberdade sexual da vítima absolutamente incapaz – prestígio este conflitante com toda uma política estatal de proteção à criança e ao adolescente.
O número do julgado não foi divulgado em respeito à intimidade da vítima.

Fonte: https://www.facebook.com/groups/magistraturaestadualgrupodeestudo/permalink/334629786684688/